Autor: franz

Impossível compor um poema a essa altura da evolução da humanidade.
Impossível escrever um poema – uma linha que seja – de verdadeira poesia.
O último trovador morreu em 1914.
Tinha um nome de que ninguém se lembra mais.

Há máquinas terrivelmente complicadas para as necessidades mais simples.
Se quer fumar um charuto aperte um botão.
Paletós abotoam-se por eletricidade.
Amor se faz pelo sem-fio.
Não precisa estômago para digestão.

Um sábio declarou a O Jornal que ainda falta
muito para atingirmos um nível razoável de
cultura. Mas até lá, felizmente, estarei morto.

Os homens não melhoram
e matam-se como percevejos.
Os percevejos heróicos renascem.
Inabitável, o mundo é cada vez mais habitado.
E se os olhos reaprendessem a chorar seria um segundo dilúvio.

Desconfio que escrevi um poema.

Carlos Drummond de Andrade

Aos Jovens e Equipe do Acreditar,

 

Escrevo agora para deixar registrado um pouco de minha gratidão, meu aprendizado, e meu carinho por todo esse tempo que compartilhamos juntos. Eu agradeço a cada um de vocês por ter feito parte dessa fase da minha vida, que foi tão intensa. E ainda que eu não tenha um portfólio só para mim, guardarei com muito cuidado na minha memoria vários momentos que passamos juntos.

Engraçado porque só conseguimos enxergar o principal das coisas quando elas já estão terminando. Enquanto estamos envolto às necessidades do dia-a-dia não paramos para ver mais a fundo aquilo que estamos vivendo. Hoje eu consigo visualizar claramente que participei, junto a vocês, de um modo, ao meu ver, isso significa que a bagagem de todos vivenciaram esse processo está aumentando nossa bagagem, de modo que outros que não participaram do Acreditar também estão tratando de encher a sua. O que nos diferencia é que escolhemos mais cuidadosamente àquilo que cada um, nossa bagagem se torna mais múltipla e abrange maior área de conhecimento.

Sempre estudei em escolas públicas e gostava de ir para aula porque lá encontrava meus amigos. Não via a hora de terminar o colégio, por isso mesmo, não repeti nenhum ano. Mas a escola foi só isso. Hoje vejo que aprendi muitas coisas. Alguns professores despertaram em mim muita vontade de querer saber mais sobre as coisas, e eu queria muito entender porque as coisas estavam tão ruins, porque diacho havia tanta injustiça social. Havia um professor de História que conversava conosco no intervalo das aulas, sobre diversos assuntos, e nesses momentos juntava, mais alunos do que nas salas de aula. Tenho vontade de encontra-lo, para dizer que fiz História e que reflito até hoje em certas ideias que ele plantou lá atrás. Espero poder ter atuado aqui, de forma semelhante, com humildade e incentivando vocês a querer saber mais e mais sobre as coisas que nos acontecem.

Chegando à universidade percebi que saber como a sociedade havia se tornado tão injusta não adianta muito: era preciso fazer algo! Participei de vários movimentos sociais e viajei a vários lugares. Nesses lugares conheci gente de todo tipo, com as mais variadas formas de pensar, de falar, de sentir. Ficava maravilhada ao ver que o mundo era sempre muito maior do que imaginava. É incrível como uma única coisa pode ter tantos pontos de vista diferentes! Foi aí que encontrei a arte, que para mim, é o modo único como cada um vai tecendo sua vida. Comecei a fazer muitos cursos de arte e educação, e passei a frequentar museus e instituições culturais. Também eu achava antes esses espaços chatos e sem graça. Mais neles passei a encontrar um pouco de outros mundos, de outros lugares e tempos idos. Comecei a trabalhar com Educação nesses espaços, recebendo os visitantes, trocando ideia com eles. Eles também foram grandes responsáveis por boa parcela de minha bagagem, apesar de nem saberem disso!

Até que fui convidada a trabalhar no Centro Educativo Acreditar. Mais uma vez, constatei que o mundo é bem maior do que imaginava. Cidade Dutra Passou a ser minha segunda casa. A equipe sempre foi muito acolhedora e sempre me deu suporte para eu me fortalecer enquanto educadora, aprendi muito profissionalmente. De início, tinha receio dos jovens, pois a ideia geral que se faz deles é de que não querem nada com nada. Mas fui conhecendo-os aos poucos, um a um, e hoje posso garantir que os jovens, pelo menos aqueles que conheço, são extremamente interessados, estão sempre em busca  de algo, não param quietos. Ao ver as fotos dos primeiros meses do curso podemos visualizar várias transformações nos próprios nos jovens. E é nítido que cada um de vocês foi encontrando o sentindo de estar aqui.

Foi muito boa a caminhada, mas tenho que partir. Convidaram-me para fazer parte da equipe de formação de educadores da 30ª Bienal de Artes. Apesar de desejar muito concluir com vocês essa edição do Acreditar, terei que tomar outro rumo. No entanto, vou feliz, porque sinto que vocês ficarão muito bem, que as aprendizagens que tivemos continuarão se desenvolvendo e que novos caminhos se abrirão para cada um de vocês. Aproveitem o máximo que vocês puderem, não deixem as coisas passarem. A cada dia aprendemos algo novo. Cuidem desse espaço, porque ele é raro e especial. Cada proposta que é feita aqui tem um objetivo que se relaciona diretamente com o desenvolvimento pessoal de cada um. Não se deixem vencer pelo pessimismo e preguiça! Nós podemos ir muito além do que imaginamos.

 

Anita Limulja

São Paulo, 26 de fevereiro de 2012.

 

A Educação pode ser o motor de transformação das pessoas… conheçam uma experiência da rede pública de São Paulo que deveria nos inspirar, mas que quase ninguém conhece…

https://www.youtube.com/watch?v=ircyREuDr9Y

Como eu não me importei com ninguém

Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário

Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável

Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei

Agora estão me levando
Mas já é tarde.

Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.

Bertold Brecht (1898-1956)

Minha Jornada

 Hoje se completam 588 dias

Da minha jornada

 

Nestas 84 semanas

Viajei neste trem chamado

Centro Educativo Acreditar

 

Durante 14.112 horas

Convivi e aprendi com cada passageiro

 

Dentro destes 846.720 minutos

Desembarquei em vários lugares

Re-embarquei com vários aprendizados

 

Em dois verões

Me conheci melhor

 

Em dois invernos

Cresci muito

 

Bastaram dois outonos para que começasse

A admirar esses passageiros

A criar um vínculo de amizade e companheirismo

 

Na única primavera que vivi neste trem

Fui presenteado com amigos

Para as próximas dezenas de primavera

 

Precisei de 78 mudanças de lua

Para começar a desenvolver

O equilíbrio que necessito

 

E agora com

588 dias

Tais 84 semanas

Longas 14.112 horas

Impensáveis 846.720 minutos

Dois verões de autoconhecimento

Dois invernos de renovações

Dois outonos de conflito internos

Uma primavera multiplicada por dezenas de vezes

E ainda incontáveis 50.803.200 segundos

 

Com sorriso no rosto

 

Coração apertado

Preciso descer nesta estação

 

Olha que faltava tão pouco

Para chegar à estação final!

 

Assim me despeço de todos

Grato por tudo que me proporcionaram

Deixo a cada um

Algo de mim

 

De cada um

Levo algo

 

Com saudades

Maravilhosas lembranças

Finalizo dizendo:

-Me sinto orgulhoso

Por ter feito parte deste trem!

 

Alef do Carmo Souza.

Neste último sábado (26/11/2016) aconteceu o último Sarau Colaborativo da Casa111 de 2016. Sim, meus amigos, este foi o último sarau do ano, mas não fique triste. É com muito carinho e uma grande alegria no coração, que realizamos o fechamento desse ciclo.  voltaremos ano que vem com muita alegria, muitos poemas, musicas, representações teatrais e ótimas novidades.

O dia iniciou com o Bazar Beneficente Acordando Palavras, um belo projeto de troca transcultural de jovens de periferia no extremo sul de São Paulo, possibilitando o trabalho comunitário no Peru, caso queira saber melhor sobre o projeto acesse o link:  Campanha Benfeitoria

Logo às 16h tivemos a oficina de erros… Realizada por Priscila Curce, onde podemos em um bate-papo horizontal perceber o quanto o erro é importante no nossos caminhos de aprendizado.

Às 18h demos o início ao nosso momento mágico, em que compartilhamos nossos poemas, nossas musicas, nossos conteúdos autorais, além de autores celebres como Fernando Pessoa e Sérgio Vaz. Sobre diversos temas que vai de teor político ao amor.

Foi um ano de ótimas experiências. Conhecemos pessoas incríveis, artistas pra lá de talentosos!! Um acontecimento magnifico, foi ter pessoas escrevendo para declamarem em nosso sarau, nossa ideia sempre foi trabalhar e estimular novos multiplicadores em prol do Bem Comum.

E é um prazer enorme para nós, consegui realizar nosso sarau e ter esse retorno. Estamos mais que animados para os próximos, e aguardamos vocês em nossa casinha. Um grande abrabeijo em todos vocês.

Confira nosso vídeo de finalização desse processo no link abaixo:

Vídeo final Casa111 – YouTuber

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Boas festas de final de ano.

Equipe Casa111!